terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A revolução de Abril II

Victória Abril II


A salvação dos despojos é muito incerta e pouco provável. A causa é justamente a desprezivel probabilidade de conseguir esse arrimo.

Victória tem cinquenta anos. Há trinta e dois anos que destroça todo o macho e não consta que alguma vez ela tenha tremido.
Continua tão ou mais deliciosamente louca que com vinte anos e, pelo menos nos filmes ainda mais decidida a quebrar todas as barreiras do suportável, dirá muita gente do admissivel. Está na tela como em casa, talvez se possa dizer que até mais intensamente cruel que em casa.
Não creio que haja outra actriz que saiba tanto de como liquidar um homem.

É certo que é muito bonita. Mas não se incluirá nas mais belissimas actrizes europeias. É certo que apresenta uma fisinomia proporcionada, uma pele deliciosamente acetinada, peitos pequenos e perfeitos, um rabo de insuperável traço ( mas só depois d ver-se desnudada). Pergunto-me se, vendo-a passar na rua, num repente, me faria voltar a cabeça, o que vale por perguntar se é vistosa ou espampanante o suficiente para sobressair se por acaso nos cruzarmos com ela. Não! Nem a figura se impõe pela altura para quem entenda nisso um factor de atracção, o que não é o meu caso.


Mas não se olhe duas vezes para Victória. Não se aprecie dois minutos. Não se detenha o carro para a deixar passar. Não se perca um minuto a reparar na expressão, no jeito que dá aos traços, no desenho de desejo de que só ela conhece o segredo, no deslumbre da entrega que ela verte possuida ou possidente. Ou é o fim! E não se conheçe remissão.
Um dia passou-me pela cabeça ir a um festival onde ela estava, só para ver como era ela, em carne. Pensei melhor, disse para mim: "Melhor é esperar mais uns dez anos, ela já não estará tão mortífera" Os dez anos já passaram. Está como se vê acima. Em X -femmes, acaba de nos mostrar que o seu potencial de destruição se mantém inalterado.
Excepcionalmente junto aqui, apenas, a cara de Victória Abril, num filme que ficou para a huistória mas em que era visivel o resto. Alguém é capaz de encontrar no cinema uma expressão que é todo um corpo e todo um vicio?

IL (hoje) 17,5

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