Houve um tempo em que Bertolucci fez cinema. E nesse tempo profícuo, "novecento" - que apareceu entre nós como "1900" - augurou-o como um dos promissores cineastas de uma nova leva de italianos de primeira água. Nem ele nem muitos da sua geração - que me lembre - passaram do augurio. Talvez os Taviani, com boa vontade e um belissimo filme.
Nesse assombroso fresco da Itália, do virar do século à ascenção e queda do fascismo, servido por um esplendor plástico que Bertolucci nunca mais atingiu, desfilam personagens inesqueciveis e soberbas interpretações.
Como este é um blog votado à beleza feminina, Dominique Sanda - no auge do poder devastador da sugestão de deboche que a sua figura de ninfeta curiosa infligia - é a figura que relembra "novecento".
Teria então quase trinta mas parecia não ter vinte. Num momento, ao voltar de cabeça, o olhar petrificante que o desejo trai: Sanda, de pele de seda, o cabelo pendendo em cachos de oiro, desnuda-se para a entrega que, num jogo arisco anunciava desde que aparecera, e revela de cima a baixo todos os traços da sua beleza clássica.
Há fimes que valem por uma cena, por um actor, por um argumento, ou por tudo. Há os que são salvos assim. Novecento não precisou de Dominique Sanda para ficar na história do cinema. Mas a ela bastou-lhe o filme e a inesquecivel interpretação que a sua figura ajudou a compor.
P.S. Justiça se estenda a Stefania Casini que nesse mesmo filme reparte com De Niro e Depardieu uma (obs)cena de antologia que despertou um incêndio de brados e excumunhões.
IL -15

Sem comentários:
Enviar um comentário