
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
A Revolução de Abril I

undimenticabile
Houve um tempo em que Bertolucci fez cinema. E nesse tempo profícuo, "novecento" - que apareceu entre nós como "1900" - augurou-o como um dos promissores cineastas de uma nova leva de italianos de primeira água. Nem ele nem muitos da sua geração - que me lembre - passaram do augurio. Talvez os Taviani, com boa vontade e um belissimo filme.
Nesse assombroso fresco da Itália, do virar do século à ascenção e queda do fascismo, servido por um esplendor plástico que Bertolucci nunca mais atingiu, desfilam personagens inesqueciveis e soberbas interpretações.
Como este é um blog votado à beleza feminina, Dominique Sanda - no auge do poder devastador da sugestão de deboche que a sua figura de ninfeta curiosa infligia - é a figura que relembra "novecento".
Teria então quase trinta mas parecia não ter vinte. Num momento, ao voltar de cabeça, o olhar petrificante que o desejo trai: Sanda, de pele de seda, o cabelo pendendo em cachos de oiro, desnuda-se para a entrega que, num jogo arisco anunciava desde que aparecera, e revela de cima a baixo todos os traços da sua beleza clássica.
Há fimes que valem por uma cena, por um actor, por um argumento, ou por tudo. Há os que são salvos assim. Novecento não precisou de Dominique Sanda para ficar na história do cinema. Mas a ela bastou-lhe o filme e a inesquecivel interpretação que a sua figura ajudou a compor.
P.S. Justiça se estenda a Stefania Casini que nesse mesmo filme reparte com De Niro e Depardieu uma (obs)cena de antologia que despertou um incêndio de brados e excumunhões.
IL -15
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Baila comigo! Não é pedir muito.
Lidia BrondiEsta fotografia marcou uma época. E não é a única imagem de Lidia que marcou uma época.
Penso, aliás que além de ter sido um dos mais intenso simbolos de uma época marcou uma geração de adolescentes.
Nós adorávamos Lidia Brondi. Chamávamos a nós próprios os Brondianos. Havia os lombardios - que preferiam a Bruna Lombardi; Havia os Bios que adoravam a Bia Seidl e havia mais claques que se assanhavam na defesa do valor estético e do poder de atracção das actrizes mais populares.
Ora eu fui sempre um Brondiano.
E foi por ela que vivi, em conluio com os meus mais chegados amigos de adolescência a extraordinária aventura da aquisição e perda da nossa primeira Playboy!
IL - 16
sábado, 12 de dezembro de 2009
Quando uma mulher vale um milhão de palavras...isso é:..

Charlotte Rampling
Quando tinha trinta anos.
Era suposto falar dela noutro lugar. E falarei.
Mas assim...
Ainda hoje, nos sessentas, não deixa dúvidas da beleza excepcional que lhe calhou. Mas ja não mostra o corpo.
É, por isso, um imperativo moral que o façamos. Aí está. Toda.
E como de novo se comprova, o cume da perfeição feminina já foi atingido há muito!
Quanto ao resto admirem-na, ao lado de Newman - "O veredicto" - e deixem-se esmagar por essa obra alucinada e total que Visconti criou: "Os malditos".
IL -16
Com o Diabo não se brinca!

Maruschka Detmers
Em linguagem crua -e não há neste caso outra forma de o dizer - pode um broche tramar a vida a uma actriz?
Pode.
De tal modo que a sua carreira não mais se recomponha?
Nos anos 80 podia.
( Nos anos 80, aliás, o problema não era fazer fosse o que fosse. Já se fazia o mesmo ou mais que hoje. Não convinha era fazer-se às claras. O que até tinha mais piada).
Maruschka, então com 24 aninhos, esqueceu-se do juizo em casa no dia em que Marco Bellochio - que pouco fez que se aproveitasse - lhe quis pôr ferro para um arrimo impensável nesse tempo.
E apesar de " O Diabo no Corpo" ter sido assumido desde o inicio como um filme "de forte carga erótica", como então se usava dizer, ninguém imaginou que a actriz desempoeirada de Godard, três anos depois, não tivesse noção de que estava a meter na boca, com perigosa e convicta nitidez, o fim da sua carreira.
Ainda que para delícia de muita gente - quer dizer de muitos homens e rapazes ( eu e o meu grupo de amigos, por exemplo, que sempre lhe estaremos gratos por ter-nos oferecido - nos palpitantes quize anos - o melhor felattio que tinhamos visto na vida ).
Azar o dela. Grande - nesse tempo então! - grande sorte a nossa.
Bendito bilhete de cinema!

