segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A Revolução de Abril I


Victória Abril
Pertenço a uma geração - a que nasceu em setentas - que no liceu ainda entendia haver dois tipos de mulheres: Aquelas com que namorávamos, nos casariamos e presumiamos virem ser mães dos nossos filhos; As amantes a quem tudo estava vedado à excepção do prazer absoluto, da devassidão e da amoralidade.
Isso veio a diluir-se.
Algumas mulheres, porém, parecem impor-nos, no âmbito dos seus contornos, a vocação da sua alma e do seu corpo. E nada podemos contra essa natureza que nos torce e verga.
Victória Abril nasceu para amante.
Não precisa de abrir as pernas, de se despir - embora o faça com uma frequencia desusada e, por ventura da forma mais natural que o cinema conhece - não precisa de nada para desnaturar um homem que tenha tomates voltados para fêmeas.
Na cara está tudo o que é: a cama que volve em qualquer sitio, os lençois revoltos, amassados e de cheiro a corpos, os dias sem sol nos quartos fechados, alheios a tudo quanto exclua os corpos fundidos e alma desgraçada e o cérebro inerte. As horas sem comer, as tonturas impenitentes, as dores de baixo ventre, os cigarros acumulados dos intervalos do sexo, os corpos exaustos e todavia suplicantes até das entranhas e os fluidos vertidos na vertigem louca...
Até ao dia, incerto, em que num arrimo de semi-consciencia, algum dos dois se decida a interromper por um par de horas essa cadência, e resolva salvar os despojos.
IL - 17,5
PS - Conservador como sou, portanto amante e apreciador das belas mulheres, este é o meu Abril e a unica revolução a que entusiastica e irresponsávelmente teria aderido, assim tivesse tido o ensejo.

undimenticabile

Dominique Sanda

Houve um tempo em que Bertolucci fez cinema. E nesse tempo profícuo, "novecento" - que apareceu entre nós como "1900" - augurou-o como um dos promissores cineastas de uma nova leva de italianos de primeira água. Nem ele nem muitos da sua geração - que me lembre - passaram do augurio. Talvez os Taviani, com boa vontade e um belissimo filme.

Nesse assombroso fresco da Itália, do virar do século à ascenção e queda do fascismo, servido por um esplendor plástico que Bertolucci nunca mais atingiu, desfilam personagens inesqueciveis e soberbas interpretações.

Como este é um blog votado à beleza feminina, Dominique Sanda - no auge do poder devastador da sugestão de deboche que a sua figura de ninfeta curiosa infligia - é a figura que relembra "novecento".

Teria então quase trinta mas parecia não ter vinte. Num momento, ao voltar de cabeça, o olhar petrificante que o desejo trai: Sanda, de pele de seda, o cabelo pendendo em cachos de oiro, desnuda-se para a entrega que, num jogo arisco anunciava desde que aparecera, e revela de cima a baixo todos os traços da sua beleza clássica.

Há fimes que valem por uma cena, por um actor, por um argumento, ou por tudo. Há os que são salvos assim. Novecento não precisou de Dominique Sanda para ficar na história do cinema. Mas a ela bastou-lhe o filme e a inesquecivel interpretação que a sua figura ajudou a compor.

P.S. Justiça se estenda a Stefania Casini que nesse mesmo filme reparte com De Niro e Depardieu uma (obs)cena de antologia que despertou um incêndio de brados e excumunhões.

IL -15

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Baila comigo! Não é pedir muito.

Lidia Brondi

Esta fotografia marcou uma época. E não é a única imagem de Lidia que marcou uma época.

Penso, aliás que além de ter sido um dos mais intenso simbolos de uma época marcou uma geração de adolescentes.

Nós adorávamos Lidia Brondi. Chamávamos a nós próprios os Brondianos. Havia os lombardios - que preferiam a Bruna Lombardi; Havia os Bios que adoravam a Bia Seidl e havia mais claques que se assanhavam na defesa do valor estético e do poder de atracção das actrizes mais populares.

Ora eu fui sempre um Brondiano.

E foi por ela que vivi, em conluio com os meus mais chegados amigos de adolescência a extraordinária aventura da aquisição e perda da nossa primeira Playboy!

IL - 16

sábado, 12 de dezembro de 2009

Quando uma mulher vale um milhão de palavras...isso é:..




Charlotte Rampling

Quando tinha trinta anos.

Era suposto falar dela noutro lugar. E falarei.
Mas assim...
Ainda hoje, nos sessentas, não deixa dúvidas da beleza excepcional que lhe calhou. Mas ja não mostra o corpo.
É, por isso, um imperativo moral que o façamos. Aí está. Toda.
E como de novo se comprova, o cume da perfeição feminina já foi atingido há muito!
Quanto ao resto admirem-na, ao lado de Newman - "O veredicto" - e deixem-se esmagar por essa obra alucinada e total que Visconti criou: "Os malditos".

IL -16


Com o Diabo não se brinca!


Maruschka Detmers


Em linguagem crua -e não há neste caso outra forma de o dizer - pode um broche tramar a vida a uma actriz?
Pode.
De tal modo que a sua carreira não mais se recomponha?
Nos anos 80 podia.
( Nos anos 80, aliás, o problema não era fazer fosse o que fosse. Já se fazia o mesmo ou mais que hoje. Não convinha era fazer-se às claras. O que até tinha mais piada).

Maruschka, então com 24 aninhos, esqueceu-se do juizo em casa no dia em que Marco Bellochio - que pouco fez que se aproveitasse - lhe quis pôr ferro para um arrimo impensável nesse tempo.
E apesar de " O Diabo no Corpo" ter sido assumido desde o inicio como um filme "de forte carga erótica", como então se usava dizer, ninguém imaginou que a actriz desempoeirada de Godard, três anos depois, não tivesse noção de que estava a meter na boca, com perigosa e convicta nitidez, o fim da sua carreira.
Ainda que para delícia de muita gente - quer dizer de muitos homens e rapazes ( eu e o meu grupo de amigos, por exemplo, que sempre lhe estaremos gratos por ter-nos oferecido - nos palpitantes quize anos - o melhor felattio que tinhamos visto na vida ).

Azar o dela. Grande - nesse tempo então! - grande sorte a nossa.
Bendito bilhete de cinema!
IL-15

Assim. Como és!


Nastassja Kinski
Andei para aqui às voltas buscando acerto quanto à imagem que mais justiça faria ao esplendor estético e erótico - desumanamente erótico - desta mulher.
Decidi colocar esta, de quando mal acabara de fazer 19 anos. De quando abanou de fraqueza esse experimentadissimo sedutor que foi o grande Mastroiani, num filme já com trinta anos e de belissimo título: "Così come sei".
Klaus Kinski, esse, está perdoado desde 1958. No ano em que a filha nasceu, Deus que é Deus, absolveu-o dos pecados cometidos e dos vindouros, tal a obra que aquele desarvorado oferecera ao mundo - mesmo que ele não tivesse dado conta, mesmo que o mérito seja curto - pôde, enfim, entregar-se a todo o género de desacertos.
Quanto a Nastassja arrasou Marcello e Rabal - dois tubarões encartados quanto a vergar mulherio -nesse longinquo mas inesquecivel filme, em que lhe bastou aparecer. Mas ainda por cima revelou-se uma senhora actriz.
E fez muita coisa que faz parte de nós, e muitos de nós têm andado esquecidos.
Mas isso é conversa para outro blog. Aqui é só para fazer pensar como era quando eu tinha sete anos e ela 19.
Como podia a adolescencia não ser efervescente com tais preludios?
IL -17

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A boca

Beatrice Dalle

Com tremendo esforço que se encara Beatrice Dalle. A boca...que boca! La bouche assassine!

A boca da Dalle está para os homens que gostam de mulheres raçudas e bravas, como a piada fatal estava para quem a escrevia. Ninguém conseguia acabar de escrever a piada porque, à medida que ia escrevendo, começava a rir até à apoplexia e morria. Era a piada mortal.


Com a Boca da Beatrice acontece quase o mesmo: Não se pode olhar para aqueles lábios felinos e vorazes muito tempo. Senão, o mais certo é que o feitiço se entranhe e acaba por se morrer sem experimentar a transcendência.

Eu próprio tive que olhar de esguelha e aos poucos para poder escrever isto. E não vou escrever mais nada antes que me dê alguma tocaia.

Bem! Também, verdade se diga: Se não nos der alguma coisa no entretanto, ela aspira-nos com aquela gulosa e insaciável ventosa.
IL-14

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O perigo era ela!

Lisbeth Hummel


Nos anos setenta fizeram-se algumas coisa bonitas.
Assim, de repente, não me lembro de nenhuma mas, que diabo, em dez anos alguma coisa se há-de ter feito que valha!
Houve, contudo, bem intencionados. Um deles era um realizador polaco que consegiu escapar para França e que, talvez para agradecimento ao Ocidente, decidiu atirar-se de cabeça para o heterodoxismo erótico.
Entre as sua mais famosas obras está "la bete" ou " O monstro " como foi traduzido.
É um filme engraçado e que se vê com gosto. Em parte porque ataca tudo quanto pode, desde a Igreja à decadente nobreza francesa, para além da delirante figura do monstro por quem a casadoira moça de familias endinheiradas acaba se entregando ao desbragamento.
Depois pela menina que está na caminha, de que, lamentavelmente, não mais se ouviu falar nem se logrou rever.
IL - 12

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Eu também já tive disto. Ia morrendo!

Alessandra Negrini

A mulher está de partir um homem nesta foto. Não me lembro de muitas fotografias tão intensamente eróticas como esta. Parece estar louca por luxuria, pelo deboche mais licencioso que se possa imaginar.

E isso perturba-me como o raio!

Tive uma namorada que ela me recorda imediatamente porque são tremendamente parecidas.

E para ajudar, essa desgraçada desgraçava-me de sexo. Aguentava noites inteiras, sem parar. Parece que gostava do meu jeito. De forma que cavalgava em cima de mim - era a posição que ela mais gostava - sem contemplações ou intervalos, ao ponto de algumas vezes, já a meio da manhã e após algumas quinze horas naquela insana vida, as dores nas partes quase me impedirem de levantar.

Já ela , mesmo a cair de cansaço e de sono ( acho que se ela pudesse até fodia a dormir), arranjava pretexto (às vezes um toque meu, involuntário, numa zona mais erógena) para mais uma sessão. Quase me sugou num mês de namoro - ainda por cima eu pertenço áquela facção que acha que por mais estoirado que um tipo esteja, deve sempre manter-se na lide até ser a mulher a estoirar.

Passado esse mês fui espaçando os encontros e as noites. Até que dei a coisa por finda.

Fez-me a vida num inferno. Até ligou para a casa paterna. Vociferou calunias e toda sorte de deselegâncias.

Era uma víbora.

De maneira que quando a Negrini me aparece eu quase que temo pelas consequencias.

IL -16

Hum! Estranho. Muito estranho.

Chlöe Sevigny

Chloe sevigny parece escolher os filmes conforme o tempo e a quantidade de obscenidades que contêem. Acho que há ali uma distorçãozinha na cabeça da pequena: O que me parece é que ela queria ser actriz pornográfica. Os seus exíguos limites morais travaram-lhe o passo. Ou uma sova do Pai, ou a vergonha da mãe. Enfim, alguma coisa.

Para felicidade dela o conceito de arte vem adquirindo uma espantosa elasticidade. Assim, conseguiu realizar o sonho de ser das primeiras acrizes pornográficas de um certo cinema de autor, sem parecer que é. Certamente uma das melhores actrizes da actual geração porno- arte a fazer fellatios, a abrir as pernas e a masturbar-se .

Aliás, todo e qualquer realizador já sabe o que tem que lhe dizer se a quiser num filme seu: Calma Chloe, Calma, filha! Tens pelo menos quinze penetrações com, pelo menos, quinze actores e actrizes. E tens liberdade para o que mais te vier na altura, salvo seja!

O público e os criticos agradecem. Eu também agradeço! Afinal é uma forma elegante de se ver um filme porno. É arte, que diabo!

E é. Para tudo é preciso ter arte! Estas coisas levam tempo até à perfeição! Mas a miuda tem jeito, vê-se que nasceu para isto!

IL - 12

O orgulho do pai. E da mãe também!

Charlotte Gainsbourg
Não é bela. Mas transmite uma permanente vontade de...enfim de...bom! Todo o tipo que perceba alguma coisa de miudas sabe o que ela parece querer a toda a hora. Mesmo que não seja o caso é o que emerge. As pessoas não escolhem a cara que exibem. Umas têm outras não.
Eu prefiro estas caras às mais bonitinhas e perfeitas, porque com estas um tipo parece que ja está na função só de olhar para ela ( claro que o ideal é juntar tudo numa cara só. Felizmente isso é raro).
Ela tem sempre a desculpa da ascendência.

Se o pai era doido e a mãe também, ainda muito bem a miuda se tem safado. Fuma como o pai. Só espero que seja mais moderada com os bombásticos Gauloises Caporal, que o inquieto Serge comia em vez de fumar.

IL -14

Razão e Matéria


Patsy Kensit


Houve um tempo em que qualquer realizador, sempre que queria um actriz de caír para o lado, pensava, entre outras, nesta belíssima mulher inglesa. Como atriz passa.

Mas quem é que quer lá saber ou dá por isso.

É para ver e admirar. Foi para isso que se pagou o bilhete:
"Alguém, já agora... por acaso, se lembra do nome do filme...não?"
"Hum..não...por acaso não!"
" Deixem lá a merda do filme, que é que interessa o nome do filme. A tipa não estava boa? Meu Deus, então em cuequinhas..."
Portanto: Ver e admirar.
IL - 16